quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Mallorquins del meu cor













Mallorquins del meu cor

Posso dizer que por causa deles minha vida por aqui teve outro rumo e, com certeza, mais sentido.

Pq as pessoas únicas não merecem menos que todos os melhores momentos. E eu dou a eles muitos dos mais bonitos que tenho nesta terra. Ter conhecido a cada um deles foi um dos presentes que ganhei da Catalunya.
Pessoas de verdade, histórias para a vida inteira.
Obrigada

E viva Maiorca!

Castellers

déjà vu de mim mesma, adoro!

video

segunda-feira, 22 de setembro de 2008


¨o amor entre mulheres é um refúgio e uma fuga para a harmonia. No amor entre homem e mulher existe resistência e conflito. Duas mulheres não se julgam, não se violentam, nem encontram algo para ridicularizar. Elas se entregam ao sentimento, à compreensão mútua, ao romantismo. Tal amor é a morte, admito¨.

¨Eu o deixei ler minha carta para June, e ele encontrou alívio em saber. As melhores mentiras são as meias verdades. Eu lhe conto as meias-verdades¨
¨Estou feliz com o hoje então entretenho-me imaginando tristezas¨

Henry & June, diário não-expurgados de Anaïs Nin

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Fútbol, futebol, fussball, soccer, e por ai vai..


Quem mora perto do Estádio do Morumbi, do nosso querido estádio do São Paulo Futebol Clube sabe o que é nascer escutando o eeeôôôÔ EEeôôôÔôô da galera. Lembro-me uma vez quando era pequena que resolvi gritar um ¨tricolor¨ de dentro da minha casa enquanto passava um ônibos cheio de corinthianos na rua. Foram latas e mais latas voando para dentro da varanda, uma loucura. Já na faculdade entrei para o time oficial, como reserva claro, afinal eu parecia mais um bambi saltitando pela quadra do que uma verdadeira jogadora como aspirava ser.
Meu melhor amigo, tricolor rooooxxxooooo, também teve sua contribuição para que esse amor continuasse florescendo dentro de mim. Como era sócio, me levava a cada jogo para ver o nosso time ganhar de goleada. Depois, já nos últimos anos da Universidade era um outro amigo muito querido que me arrastava ao Morumbi, e que acabou me apelidando de pé frio (é, acho que a combinação Rafinha – Carol não trouxe muita sorte para nosso amado time) mas nem por isso deixávamos de ir juntos, rostinho colado no meio da ¨arquibancada para sentir mais emoção¨, como diriam por ai.
Mas daí para virar jornalista especializada no ramo havia um longo caminho que eu nem pensava em trilhar. Imagina só escrever todo o tempo de futebol? Não era para mim não. Mas quem disse que murphy perdoa este tipo de comentário? Ele esta ali, obviamente esperando um passe mal feito da minha parte para entrar e marcar seu gol.
Na redação geralmente fazemos duas rodagens. Eu, toda espevitada, já queria fazer o mais variado número de temas possíveis, um para cada sabor e cor do dia. Foi ai que com ar ingênuo aceitei o que não teria como dizer não: o papel impresso de uma notícia de esportes na minha mesa com uma frase muito carinhosa da minha chefe que dizia algo como, ¨vai que é sua Carol!¨
Depois disso parece que tudo estava premeditado: o responsável de esportes de Madrid resolveu elogiar minha matéria e assim minhas duas reportagens diárias se tornaram uma, com a outra obrigatoriamente no Camp Nou. O que no começo foram suspiros meus pelo elogio que me fizeram, acabaram se tornando milhares de ligações da central de Madrid.
- Vc conseguiu falar com o Messi? E o Laporta, falou algo da moção de censura? Quê???? Você não sabe quem é o Bojan? Fica esperta que o Guardiola vai dar uma declaração SUPER importante e não podemos perder. Quando vi eu tava lá, empurrando segurança, jogador e câmera de qualquer emissora da concorrência para arrancar uma frasezinha chocha do Silvinho e fazendo uma mapa esquematizado de todos os passos do Eto´o.
Curioso é que em nenhuma outra sessão que estive os jornalistas variam tão pouco. São sempre os mesmo que estão lá, sofrendo por cada decisão dos técnicos e cada partido. É uma turma expert no assunto sem tempo ruim para minhas milhares de perguntas, que com certeza soavam como básicas para eles.
Por fim, o David responsável pela sessão de esportes em Barcelona voltou de seus infinitos dias de férias. Me deu um tapinha nas costas e disse:
-Ta viva brasileira?
- Estou David. Ainda mais porque você voltou. Mas.... pensando bem...posso cobrir o primeiro jogo da Champions quarta-feira que vem?
Que nada, ele é que ta morto de saudades da turma.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

delícias de Costa Brava


Não foi a toa que Dalí escolheu essa cidade para viver. Cadaqués. Aos pés dos Pirineus, ali, quase na França. É a parada final da chamada Costa Brava. Desde que cheguei aqui fui fazendo pouco a pouco o litoral norte espanhol. Cada vez que sobrava um tempinho lá íamos nós, uma praia por vez , sem pressa, mas sem deixar de subir mais e mais. Até que chegamos lá, tão linda, como eu imaginava.
O fantástico é imaginar que esta cadeia de montanhas impressionante separa a França da Espanha. Algo com esta força, só pode ter ajudado a que cada país ficasse do seu lado da cordilheira. Imagino aqueles batalhões na época medieval tentando atravessar essa imensidão que parece chegar ao céu. As tropas francesas escondidas, estas mesmas ajudando aos espanhóis a encurralar os catalães... que loucura. Nossa geografia teve tanta influência nas conquistas, nos povos que nasceram e desapareceram na história.
Dizem que é da província de Girona (a província ao lado de Barcelona, onde está Cadaqués) que vem o catalão mais puro. O sotaque é muito peculiar, mais aberto, na minha opinião um charme. A região é cheia de franceses, como acontece em toda a Catalunha, e com muita gente local, bem típico, uma preciosidade.
A noite de sábado estava iluminada por uma lua imensa e cheia. Ficamos ao lado da igreja admirando o mar, os barquinhos, o barulho gostoso das pessoas passando lá embaixo entre as casas e as pequenas ruas. E essa lua linda e grande que parecia estar tão perto de nós. A forma com que ela influencia o mar... e é claro que não poderia interferir menos em nossos corpos que também são água. É como se o sol, o dia, fosse para decidir o que fazer, e a lua, a noite, para pensar e refletir se o que estamos fazendo é o que realmente queremos. De noite os sentimentos afloram e tudo de mais primitivo e oculto parece sair, como a dama da noite que exala seu cheiro mágico pelo ar.
Nesta região é grande o número de praias nas quais se pode praticar o nudismo. Sempre tive uma admiração profunda pelos europeus e sua relação com o sexo. Algo desprovido de más intenções, natural, sem aquela obsessão brasileira pelo sexy todo o tempo. Parece que as pessoas são mais reais aqui em relação a esse tipo de coisa. Elas são sensuais na hora que tem que ser, sem passar todo o tempo na neurose, pensando na celulite, na estria, na barriguinha ou na depilação perfeita. Eles são mais humanos ou pelo menos parecem ter menos problema com o fato de sermos assim, cheios de imperfeições perfeitas que nos fazem únicos e tão parte do mundo e da natureza. É uma sensação de liberdade, de ser o que é. Isso não tem preço. Uma pena que em nossa cultura esteja tão enraizado essa malicia sem fim em tudo que fazemos. Poderíamos olhar as mulheres com mais realismo, seria tão mais fácil e bonito pra nós... quantas mentes neuróticas, operadas e traumatizadas iríamos salvar?
Deixei a Costa Brava com a sensação de fim de verão. Na entrada de Barcelona já se notava o amarelo das arvores e algumas folhas secas correndo pelas ruas. O sol era intenso, mas o vento fresco não escondia. É.. estamos nos últimos suspiros antes da próxima fase do vermelho, do marrom e do aconchego.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Bruxelas, Heerlen e algumas histórias


Ele vestia uma roupa anos 20, parecia que acabava de sair de um filme.
Quando nos viu pela primeira vez abriu um sorriso desses largos, lindo por sinal, e começou a contar suas histórias.
Artista. 100% mente criativa vindo deste mesmo planeta Terra que eu. Uma grande surpresa para mim, que por culpa de um amor desenfreado estou muitas vezes entre o mundo onírico e irreal desses seres alucinados que inventam tudo e mais um pouco. Mas ele não.
Nos levou a sua casa. A mulher: artista plástica. O filho: músico e a filha: pintora.
A casa me lembrou o desenho japonês O Castelo Animado. Não se trata de uma casa com uma criatividade perfeita. Vai mais além. Se comunica de todas as formas reais que estão entre o imperfeito e o impensado. Este lar faz parte do que se chama arquitetura de Amsterdam, composta de casas antigas com jardim e cerca de 50 quartos, bem descuidados e com um ar de decadência mágica européia. Lindo.
Em dois minutos de conversa já havia sido engolida e hipnotizada por ele. Adoro gente reivindicativa. De pessoas cegas tenho uma preguiça absurda. Pode ser o artista, o rei, o amigo de toda a vida. A coisa mais chata do mundo é gente que finge que não vê o obvio. Mas enfim, como já sabemos, para este tipo de pessoa leviana (que é muito diferente de ser leve) não faltarão companhias para suas sandices.

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Havia um Urso em Bruxelas. Ele vivia num cercadinho no meio da cidade e todos os moradores lhe queriam e iam visitar-lo com freqüência. Sozinho ali o urso começou a adoecer. As pessoas como uma demonstração de afeto lhe davam todo o tipo de comida com a intenção de mimar-lo. No dia que morreu, a autópsia concluiu que o urso havia sofrido terríveis dores de dentes, de estomago e de cabeça pela quantidade de comida que ativam ali e que lhe faziam um mal gigantesco. Em homenagem ao Urso, decidiram que seria feita uma obra para recordar o amado animal por algum artista conhecido e renomado das redondezas. Chamaram a ele, Michael Huisman, claro. Quem melhor que um artista com uma mente a mil por hora para fazer algo assim tão representativo.
A intenção era fazer uma homenagem ao animal. Muito bem. Então seria uma homenagem a todos os animais, todos que tiveram um fim triste nesse nosso planeta, certo? Pensou.

A cada 20 minutos um animal é extinto na Terra.
Então, Huisman montou um grande cercado com esculturas de todos os animais que se encontram hoje em extinção. Ao lado de cada um deles foi colocado uma explicação sobre o motivo e a maneira pela qual estes animais deixaram de fazer parte do nosso mundo.
O urso? A monumento também tinha que estar ali, mas com alguma diferença.
Foi então que esse artista de lindos olhos azuis resolveu colocar uma escultura de urso feito em bronze sentado num banco de praça, como se fosse um homem em uma posição um pouco cabisbaixo. Além da maneira que estava sentado, suas mãos e antebraços também eram humanos, feitas através de um molde da própria mão do Huisman.
Um homem fantasiado de urso. Ou melhor, um urso fantasiado de homem.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008


magic moments only happens when you are open to receive and give love.. specialy to the person you want to die with....

por Gu, kanciukaitis - diretamente da bolha encantada

terça-feira, 9 de setembro de 2008

¨Marco Polo describe un puente, piedra por piedra.
- ¿Pero cuál es la piedra que sostiene el puente? - pregunta Kublai Kan.
- El puente no está sostenido por esta piedra o por aquélla - responde Marco - , sino por la línea del arco que ellas forman.
Kublai permanece silencioso, reflexionando. Después añade:
- ¿Por qué me hablas de las piedras? Lo único que me importa es el arco.
Polo responde:
- Sin piedras no hay arco. ¨

Las Ciudades Invisibles, Italo Calvino

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Três Adelaides em Lisboa


São 3h40 da madrugada, toca meu celular. Não, não é ninguém do Brasil que com esse fuso horário loco resolveu ligar para saber como estou. É a Pi que por uma bebedeira qualquer me telefonou para rir, chorar ou só para dizer um oi e contar qualquer bobagem. Eu, que me encontrava num sono profundo, escuto uma vozinha feliz do outro lado da linha dizendo:
- Oi, Adelaide!
Esse virou nosso pseudônimo para os momentos ¨psicóloga¨, quando encarna em mim ou nela o espírito da grandiosa Adelaide e nos colocamos a ouvir e comentar acontecimentos extraordinários de nossa vida por aqui.
Mas a verdade é que o nome Adelaide já existia há muito tempo nas nossas histórias. Isso porquê este era o apelido carinhoso da barata que vivia no banheiro da Fê em Juquehy. Já que a Adelaide não saía do banheiro nem por decreto (e nos não tínhamos coragem de colocar um fim na vida desse bicho horroroso) ela virou parte da família e participava de todos os acontecimentos das nossas largas instancias naquela casa.
E neste fim-de-semana posso dizer que foi um fim-de-semana a la Adelaide. Fefe, Pi e eu resolvemos fazer nosso encontro, uma ¨volta as raízes¨.
O destino: Portugal. Nada melhor que ter a sensação de home, sweet home junto as amigas do peito. Felizmente a Adelaide de Juquehy não estava presente, mas aquela que atende o telefone as 3h40 da madrugada estava e nos rendeu três dias de risadas, peculiaridades e muito, mais muito desabafo.
Pra ser sincera, eu vinha com certo preconceito a cidade de nossos colonizadores. Com o foco das minhas reportagens no trabalho sobre imigração, já imaginei todas aquelas histórias horripilantes que escutamos sobre nossos irmãos brasileiros que vivem por ai. Me vi tendo que incorporar o maior jogo de cintura com o preconceito que supostamente iríamos sofrer em algum momento. Me enganei. Em todos os lugares que fomos nos trataram como princesas, só elogios, só comentários educados, uma verdadeira delicia. Ahh meu Brasil, mais orgulhosas de ser daí que nós estava difícil, viu!
Os três dias pareceram muito mais largos pela quantidade infinita de programas que euzinha (alguém tinha que fazer o papel duvidoso de arrastar a turma para todos os lados) consegui enfiar na agenda das minhas queridas companheiras. Foram tarde no Guincho, Caiscais, Sintra ( patrimônio da humanidade), Belém, Castelo de São Jorge, show de Fado com direito a almoços na região de Alfama e jantar no porto de Lisboa, com um pelo prato de Bacalhao e cochinha a qualquer hora do dia.UFA!
Para completar nossa felicidade estavamos hospedadas em uma casa uma graça no bairro da Lapa de uma amiga da família da Pi que esta de viagem.
Três ciclos que se iniciam. Nada melhor que um encontro como esses para começar com uma folha em branco o novo texto. E todas as oportunidades do mundo para uma grande história.

domingo, 7 de setembro de 2008

Berlin 99


- Quase 10 anos depois e você continua deslumbrante.
Ouvir o sussurrar dessa língua pelas ruas. Sentir essa vibração hipnotizante que me acompanha desde menina foi como voltar ao colo de uma mãe, que ama e que ensina.
Cheguei em Berlim.
Lá, em uma idade que complicamos até mesmo o simples, eu e ela construímos e destruímos todos os ideais sociais e políticos de uma jovem curiosa.

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Berlim é silencio. Parece que estamos dentro de um filme mudo. Todo o barulho fica pra trás e você alcança de novo o poder de escutar os pneus deslizando sobre o asfalto, os suspiros, as moedas nos bolsos alheios, a vida que acontece.
E por sensações como estas que a expressão de Berlim se torna completamente visual. Ela nos mostra todo um colorido e nos convida a nos disfarçar do que quisermos para viver um de nossos inúmeros personagens. E nada nem ninguém se sente no direito de nos lançar um olhar reprovador, afinal, cada um, cada um, e tudo é válido.
Antes da queda do muro, poucas pessoas se atreviam a continuar na parte ocidental da cidade já que esta era como uma ilha em meio ao comunismo. Os alemães migravam para outras regiões do país e a capital, que também era um ponto estratégico para os capitalistas, se encontrou ameaçada pela falta de população. Foi quando a Alemanha resolveu dar grandes incentivos para quem quisesse viver ali, um incentivo que se transformou em vida fácil e um grande laboratório para artistas de todas as áreas. O governo lhes sustentava e toda essa massa criativa se dedicava quase exclusivamente a aperfeiçoar seus dotes. Não é a toa que atualmente Berlim é considerada a principal capital cultural da Europa.
Até hoje as diferenças entre o que um dia foi Berlim ocidental e oriental são muito claras. A parte oriental possui inúmeros prédios onde se nota a presença da chamada ¨arquitetura comunista¨, com grandes áreas comuns, onde seus moradores desfrutavam de partes amplias que eram compartidas entre a comunidade. Hoje, esses prédios mais antigos e mais degradados possuem um preço mais acessível aos jovens que se iniciam na vida independente.
Por toda Berlim reina uma vida completamente urbana. E com isso não poderiam faltar os graffitis. Grupos de todas as partes do mundo já fizeram sua história entre as paredes coloridas da capital alemã, feita para todos os olhos, distribuídos por cada canto das ruas, que salta aos nossos sentidos. Entre os nomes e nomes pichados nas paredes, muitos desenhos contam como viveram os que participaram da dura história da cidade.

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Acho que o povo alemão é um povo consciente. Consciente sobre as fraquezas humanas. E sem dúvida, uma delas é o esquecimento. O ser humano é esquecido por natureza. Depois de algum tempo nos esquecemos do mal que causamos, do que fizemos e do não fizemos. Esquecemos e voltamos a repetir os mesmos erros e causar novamente as mesmas dores. Um cachorro que core atrás do rabo e não percebe que gira e não sai do lugar.
Em nenhum lugar da cidade os alemães deixaram de lembrar todo o rastro cruel que o nazismo deixou. Em cada canto uma homenagem e as eternas desculpas aos judeus, homossexuais, ciganos e a todas as outras minorias cruelmente assassinadas naqueles tempos. Claro, o perdão não trás de volta a vida que perderam tantos e os traumas que carregam os que por algum motivo conseguiram escapar. Mas reconhecer e tentar mudar uma atitude é o primeiro passo para o renascimento de uma raça, crença e de cada pessoa. E isso também merece um reconhecimento. O povo alemão possui uma responsabilidade com o passado que não deixa a barbaridade ser esquecida pelo seu povo. Ela não pode ser esquecida como tantas outras insanidades feitas por nós, ela precisa ser lembrada para que nunca e em tempo algum algo assim possa voltar a acontecer.
Me pergunto quando será que vamos começar a nos desculpar por todo o preconceito, mortes e humilhação que fizemos passar os negros e os índios. Ou quando será que a China finalmente contará ao mundo toda a repressão que passa seu povo nos dias de hoje. Reconhecer é difícil e acredito que ter a coragem para confessar de peito aberto ao mundo que erramos é um mérito de poucos.

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Fechei os olhos, nevava. No quarto só brilhava aquela luminária colorida, presente de um amigo.
- E agora Berlim, que faço com tudo isso?
Conta para eles. É o feitiço que vai com você. Aqui estão as armas para você virar o espelho de tudo que quiser.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Gabriel Garcia Márquez vai entrar para o BOPE!


Ontem assisti pela segunda vez ¨Tropa de Elite¨. Como qualquer brasileira que se preze, saí mais uma vez declarando meu amor pelo Capitão Nascimento aos quatro ventos e quase tatuando o conhecido símbolo da caveira do batalhão das forças especiais na testa. Obviamente com a intensidade que me vem de natureza, meus sonhos já me levaram a pegar o primeiro avião de volta ao Brasil, ingressar nas forças armadas, lutar pela independência do Brasil perante os Estados Unidos, me atar a uma árvore na Amazônia ou, se me servir de algo, simplesmente sair gritando em praça pública toda a opinião engasgada e idealista que me saem pelas orelhas.
- Respira Carol, o Xavier não tem culpa de ter nascido em um povoado lindo e perfeito no interior da Catalunha e de não ter a menor idéia de que vem a ser toda essa confusão que ele acaba de assistir.
Depois de abortar o jantar com o querido e ¨empanado¨ amigo, fui terminar meu surto psicótico em casa, porque as paredes do meu quarto me entendem muito bem.
Antes de tudo: abrir o e-mail. Vai que recebi uma carta do Presidente da República dizendo que sim, que ele ouviu minhas preces vindas do além e vai me mandar para uma operação secreta onde quer que ele queira.
Mas o que encontrei no meu correio foi outra coisa. Uma matéria de uma jornalista venezuelana (essa sim, da turma do ¨gente que faz, sábado, antes do Jornal Nacional¨) contando sobre umas declarações feitas por Gabriel Garcia Márquez no seminário internacional sobre a busca da qualidade jornalística atual, assistida por centenas de comunicadores da América Latina, Europa e Estados Unidos. Um dos meus mestres confessou que ¨sofria como um cão¨ pela má qualidade do jornalismo escrito nos dias de hoje. ¨Todas as manhas quando me desperto é uma decepção atrás da outra. Leio vários jornais e vejo que nossos profissionais não têm tempo de pensar antes de escrever uma matéria. São muito poucas as reportagens e notas publicadas que eu destacaria como verdadeiras jóias, isso é uma tristeza¨. E tem como não concordar com o mestre, minha gente?
Nos dias de hoje, onde tudo acontece praticamente na velocidade da luz, fazer uma matéria criativa usando o talento que, de acordo com Garcia Márquez, ¨vem da alma de um escritor¨, é uma tarefa muito difícil, mesmo para os mais originais e ousados. O tempo é curto e a pressão para a produção de algo diferenciado fica em segundo plano.
- É querido mestre, tempo é dinheiro e este último anda escasso por aqui. Quem não faz uma matéria em 5 minutos, é substituído por alguém que faça em 3 com o pé nas costas e chupando manga, mesmo que isso resulte em um texto tipográfico com algumas ¨pequenas¨ faltas de ortografia.
Me senti como o Neto e o Matias do longa-metragem de Padilla. Com vontade de mudar, de fazer diferença na vida das pessoas, de contar a verdade e fazer o povo entender como funciona o sistema. Ou de onde vocês pensam que nascem muitos jornalista senão do sonho ilusório de salvar o mundo?
Tive um professor na Universidade que dizia que os jornalistas de alma são aqueles que acreditam que vão construir um mundo melhor em cima da verdade. ¨O problema é que muitos deles se esquecem disso depois de serem tragados pelo mercado¨.
Isso não é uma apologia em contra aos meios de comunicação atuais, pelo contrário! Eu, como convicta sonhadora de um mundo perfeito e cor-de-rosa, adoro ler o Estadão, a Folha e o El País. Adoro Rede Globo, Cultura e Televisão Espanhola. Mas sim, sou a favor de fazer um trabalho com amor, de qualidade e que valha a pena.
Jornalistas do meu Brasil! (e me incluo nessa turma). Não deixem seus leitores ou sua audiência perderem tempo, façam entretenimento de qualidade, ajudem as pessoas a se divertirem sem pisar em todo o nosso brio e vergonha na cara.
- Mestre, sabe de uma coisa? Vem comigo para o batalhão do BOPE, você não vai se arrepender.